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Notícias
APCADEC presente no European Procurement Excellence 2007
Data: 13-14 Junho 2007
13 e 14 de Junho de 2007
Frankurt – Alemanha
A Associação Portuguesa de Compras e Aprovisionamento – APCADEC
– esteve presente em Frankfurt, no passado mês de Junho, como um
dos principais parceiros do European Procurement Excellence
2007, organizado pela Bundesverband Materialwirtschaft, Einkauf
und Logistik e.V. – BME (Associação Alemã de Gestão de Materiais,
Compras e Logística).
Este é um dos maiores eventos organizados, anualmente, a nível
europeu, e contou com a presença de mais de 200 convidados, em
representação de 14 nacionalidades, como a E.On, Deutsche Post
World Net, IKEA, Unilever, Statoil, Siemens, Alstom Power ou
Telefónica, tendo Portugal sido representado por duas empresas
associadas da APCADEC: a EDP Energias de Portugal, através da
presença do Eng. Luís Ferreira, e a Galp Energia que contou com
o Dr. Carlos Tavares.
Nesta conferência, subordinada ao tema “Optimizing Total Costs
of Ownership”, destacaram-se várias apresentações como a do
ex-comissário europeu para a Concorrência, Karel van Miert, que
enfatizou os rácios de produtividade europeus e reforçou o
crescimento económico generalizado na zona euro, sobretudo na
Alemanha. Karel Van Miert alertou ainda a audiência para a
existência de alguns desafios e riscos que têm que ser avaliados,
sobretudo ao nível da forte dependência energética da Europa,
devido à forte importação que tem havido no sector.
Por outro lado, na sua intervenção de abertura, Juergen Marquard
(Bosch Rexroth AG), Chairman da BME, sublinhou a importância da
função compras nas organizações, nomeadamente, no grau de
inovação a nível dos processos, como uma forma de alavancar a
competitividade das empresas e, consequentemente, dos mercados.
Outro dos pontos-chave no desenvolvimento da função compras será,
para Juergen Marquard, a capacidade que as organizações terão no
futuro para reter e captar recursos humanos qualificados e
motivados para a função, em especial os mais jovens.
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Outro dos convidados de honra deste evento foi Ken James,
Presidente do IFPSM – International Federation for Purchasing a
Supply Management, que reforçou a abrangência e importância da
função compras noutras áreas de impacto estratégico das
organizações, nomeadamente, em gestão de risco, recursos humanos
e internacionalização de algumas das suas actividades,
suportadas em sistemas de informação que alavanquem os níveis de
eficiência e eficácia.
“Todo o evento foi útil, na medida em que o
contacto com outras realidades, traz sempre novas
ideias ou permite simplesmente um agrupar de
conhecimentos dispersos ou esquecidos.
A tão falada palavra "networking" teve para mim um
significado especial. Foi a parte
mais importante do Seminário. A oportunidade de
comunicar, trocar ideias e experiências.
Os meus parabéns à organização do evento.”
Cecilia Revez Rosado
Refer
Sócia Individual APCADEC |
Estiveram em Frankfurt, representantes de 8 empresas portuguesas,
numa comitiva que reuniu cerca de 17 pessoas, a segunda maior,
logo a seguir à de origem Alemã.
O Grupo EDP foi um dos convidados a apresentar o seu modelo de
compras sob o tema “How to speed synergies in purchasing”, tendo
apresentado e debatido o tema da criação de sinergias entre
diferentes estruturas de compra, através da centralização da
estratégia de negociação. As organizações deparam-se, cada vez
mais, com a modernização e, como tal, têm necessidade de
explorar novas formas de comunicar internamente e com o mercado.
Com efeito, a procura de soluções que rentabilizem os recursos e
que promovam a eficiência, não se reduzem exclusivamente a áreas
comerciais ou técnicas.
A função compras tem-se demonstrado pioneira na procura de
formas eficientes de se relacionar com os seus fornecedores, e
de interagir com os principais clientes internos de uma
organização.
Segundo Luís Ferreira, Director de Compras do Grupo EDP Energias
de Portugal, só assim é que se poderá alavancar a função
internamente, e apresentar novos modelos de partilha de
informação, procedimentos e resultados. A EDP iniciou há 2 anos
uma reestruturação profunda nas suas actividades de compras,
cujo movimento envolveu, transversalmente, toda a organização.
Antes disso, a EDP era uma empresa bastante orientada para a
transacção e para o cumprimento técnico das especificações que
solicitava ao mercado, verticalmente, e por unidade de negócio.
As actividades de produção, distribuição e serviços gerais
tinham departamentos de compras autónomos, e perfeitamente
independentes, desde o registo e procura de fornecedores até à
formalização da compra propriamente dita. Era um modelo de
compras fortemente orientado para o negócio de cada uma das
empresas do Grupo, onde se privilegiava, sobretudo, a eficácia
dos processos aquisitivos, sem ter uma estratégia comum, e
partilhada de informação e resultados transversal a todo o
Grupo.
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Com a criação da Plataforma de Negociação e Compras na EDP Valor,
empresa de serviços partilhados do Grupo, o paradigma que
existia e que posicionava as compras como mais um departamento
integrado, em cada uma das unidades de negócio, alterou-se para
uma lógica de excelência de serviço de compras, muito orientado
para o mercado e para a satisfação das necessidades dos clientes
internos. Outro factor que contribuiu, positivamente, para que a
nova estrutura de compras tivesse outro impacto na organização,
agora mais estratégico, foi a política de fusões e aquisições do
Grupo, onde a forte presença em mercados como Espanha, Brasil,
China e mais recentemente EUA, obriga a que o serviço de compras
seja cada vez mais importante e transversal à organização.
Então como gerir necessidades de compra, especificações e
procedimentos dispersos por várias unidades de negócio, e por
vários países?
Quando em 1989, o inglês Tim Berners Lee, investigador na área
da física do CERNE (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire),
em Genebra (Suiça), criou um sistema de visualizar informação
para a Internet baseado no hipertexto e chamou-lhe World Wide
Web, longe estaria de imaginar que do ponto de vista conceptual
a EDP se iria inspirar nos princípios básicos dos seus
objectivos, que levaram ao que muitos já chamam a maior invenção
do século XX. O objectivo era tornar mais simples, eficiente e
fácil a visualização da informação, por parte dos colegas
investigadores de informação na área da física de alta energia.
Este sistema podia ainda ser utilizado independentemente do
equipamento utilizado (Unix, Macintosh ou Dos).
Assim surge o “SINERGIE – Supply integration for Energy”. O
Sinergie é uma ferramenta web e foi desenvolvido, integralmente,
pela equipa de compras da EDP e o seu objectivo é,
comparativamente com o da criação da internet, a troca e
partilha de informação de compras transversalmente ao grupo EDP,
independentemente da unidade de negócio, da origem da
necessidade específica da área de negócio ou mercado onde operam,
utilizando para isso a Internet como motor da agilização de
todos os processos de compras a nível global. Está neste momento
num estágio de implementação avançado, onde possibilita a
qualquer comprador do Grupo EDP, gerir todo o processo de
aquisição com total interdependência na utilização de sistemas
de informação corporativos (ERP), e total participação e
intervenção do cliente interno no processo de decisão. A compra
é agora vista como mais um activo da empresa onde o benchmarking
possibilita alcançar melhores preços e condições de fornecimento,
devido às sinergias criadas não só pelas poupanças geradas, como
principalmente pela adequação do serviço de compras a clientes
internos e a fornecedores.
A apresentação da Galp Energia, subordinada ao tema “Recruiting
and Retaining Talents in Procurement”, focou-se na gestão do
talento e no que representa, cada vez mais, um objectivo
estratégico para os negócios das organizações actuais e,
necessariamente, para a Função Compras, enquanto uma das
alavancas para a obtenção de vantagens competitivas.
De acordo com a exposição de Carlos Tavares, Director de Compras
da Galp Energia, a verdade é que existe, actualmente, uma grande
escassez de talento relacionado com a Função Compras, o que faz
com que as empresas tenham que ser criativas em tudo o que se
relaciona com atrair, desenvolver e reter os melhores
profissionais. Neste sentido, esta apresentação teve como grande
objectivo a reflexão crítica a respeito do que é exigido hoje em
dia a um bom profissional de compras, bem como das dificuldades
com que as empresas se deparam nos processos de recrutamento e
motivação dos verdadeiros talentos nesta Função.
O papel da Função Compras tem evoluído, drasticamente, nos
últimos anos. Desde uma função meramente administrativa, em que
o comprador não é mais do que um formalizador de aquisições
realizadas pelos restantes departamentos da empresa, passando
por uma função mais transaccional, que actua sobretudo a nível
do downstream dos processos (fase da produção, execução ou uso,
em que o potencial de poupança é reduzido), em que o comprador é
um negociador que regateia preços e condições de fornecimento,
até uma função de criação de valor, que é focalizada no upstream
dos processos (fase da definição da necessidade, em que são
tomadas cerca de 75% das decisões que vão originar custos no
futuro), e em que o comprador desempenha um papel fundamental na
optimização da cadeia de valor e na consequente obtenção de
poupanças significativas para a empresa.
“A conferência correspondeu às minhas
expectativas. Foi importante confirmar as grandes
linhas de rumo e tendências da função Procurement na
realidade actual do Mercado, e também a partilha de
experiências com todas as empresas presentes em
particular as portuguesas, que tão bem foram
representadas.”
Fernando Vaz
Director Compras, Grupo EFACEC
Sócio Colectivo APCADEC |
Esta evolução no papel da Função Compras só é possível quando
acompanhada por uma evolução do perfil do comprador. Hoje em dia,
um bom comprador não é apenas um profissional com boas
competências analíticas e organizativas e, muito menos, se pode
confinar ao facto de ser um bom negociador. Tem que perceber o
negócio da sua empresa, tem que dominar a commodity pela qual é
responsável e os respectivos mercados, tem que apoiar o seu
cliente interno na definição da sua necessidade de compra (participando
activamente, em muitos casos, na definição das especificações
funcionais do que se pretende adquirir), tem que dominar o
inglês (e, cada vez mais, outros idiomas!) e as ferramentas
informáticas, tem que ser um líder e deter fortes capacidades de
trabalho em equipa, flexibilidade, criatividade, organização....enfim,
espera-se do comprador que seja um super-homem ou uma
super-mulher, que seja verdadeiramente capaz de gerar valor para
a empresa.
Mas, se assim é, onde é que podem ser encontrados profissionais
com todas estas capacidades? Dependendo do mercado, esta questão
não é de fácil resolução. Enquanto em países como a Inglaterra,
a Alemanha ou os Estados Unidos existe já uma forte comunidade
de compras, a nível do mercado de emprego, em países em que esta
Função não está, ainda, tão desenvolvida, sobretudo no que
respeita à forma como é vista dentro das empresas, a situação é
mais complicada. Ainda é comum ouvirem-se comentários
depreciativos a respeito das Direcções de Compras, que são, em
muitas empresas, vistas como uma área para onde ninguém quer ir.
E, se assim é, como encontrar, atrair e reter os melhores
profissionais?
Uma hipótese passará pelo recrutamento externo, materializado
através de anúncios, em jornais ou na Internet (existem, já,
sites especializados para o efeito, como
www.peopleinprocurement.net ou
www.nextlevelpurchasing.com) ou através do recurso a Head
Hunters, sobretudo quando estão em causa funções de topo. No
entanto, existe a convicção geral de que esta fonte é limitada –
se, por exemplo, fizermos um inquérito a alunos finalistas de
licenciaturas, qual será a percentagem dos que pensam iniciar a
sua carreira por esta área? Muito reduzida, certamente. Mas,
feliz ou infelizmente, este problema não é exclusivo do mercado
português. Como refere Robin Jackson, Chairman da ADR
International, “the number of people coming into the market with
high-level procurement skills is not large enough to meet demand.
(…) The pool of available talent is growing, but not fast enough”.
Perante isto, outra das alternativas é o recrutamento interno,
pelo que a implementação de políticas de criação interna de
talento em Compras está em franco crescimento, envolvendo
iniciativas que vão desde a formação especializada, para
desenvolvimento de capacidades concretas, até a desenvolvimentos
a nível de factores como a Liderança, a Compensação e Benefícios,
a Política de Integração na empresa e a Gestão de Expectativas.
Mas, para que isto seja uma realidade, há ainda um grande
caminho a percorrer, nomeadamente, no que respeita à
transformação das Direcções de Compras em áreas para onde
recursos humanos, competentes e talentosos, queiram,
efectivamente, evoluir. Porque a questão da atracção e retenção
de talentos é, cada vez mais, crítica e, como alguém terá dito,
“Pior do que os que desistem e saem é ter os que desistem e
ficam”.
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